Inauguração do Auditório/ Sede da Filarmónica de Chãs com a presença de dois ilustres convidados: a pianista Olga Prats e o Maestro António Vitorino d'Almeida.
O Lugar de Chãs – Regueira de Pontes, é há 110 anos sede de uma das 11 Filarmónicas do Concelho de Leiria.
Se atendermos ao pormenor da idade verifica-se que quase todas as Filarmónicas são anteriores: - Aos 3 grandes clubes de futebol nacional. - A todos os conjuntos musicais. - À maioria das instituições. - A quase todas as empresas. - A todos os seres humanos vivos.
As filarmónicas não geram paixões, guerras ou fanatismos, não criam ídolos e mitos, não arrastam multidões, não vivem na estratosfera de balanços contabilísticos, não são alvo de apetites de sociedades anónimas, não entram no horizonte das OPA’s, nem sequer merecem a atenção (da nova moda) das empresas culturais. Mas existem! …São como a alma. Existem mesmo que as não conheçamos. Estão presentes mesmo que as ignoremos. …Possuem espírito Ensinam valores mesmo se não solicitados. Educam para a vida jovens na tenra idade. Espalham conhecimento, mesmo se não apoiadas. …Possuem corpo E são milhares.
Podem (alguns) passar sem elas, mas não negar a sua existência. Elas andam aí.
Saindo de Leiria pela EN 109, no sentido da Figueira da Foz, a ± 6 Km chegamos à Freguesia de Regueira de Pontes. Aqui, na aldeia de Chãs, nasceu em 1896 a Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria. O lugar de Chãs é nos tempos actuais uma simbiose entre a agricultura de subsistência e o industrialismo agrícola, o pequeno comércio e as empresas importadoras ou transformadoras de dimensão nacional, mescladas de pequena industria em sectores diversificados, beneficiando do desenvolvimento industrial da Ponte da Pedra. Com Casais e Amieira, a Chãs preenche o centro de um triângulo, em que um dos vértices é precisamente a Ponte da Pedra com a sua zona industrial, outro a sede de freguesia, Regueira de Pontes, com centenas de anos de história, e centenas de estórias contadas, nos livros dos escritores Luís Lourênço e José Faria. O 3.º vértice apontado a nascente, é o Santuário do Senhor Jesus dos Milagres, que de terreno altaneiro, protege campos férteis e boa gente, entregando-nos diariamente o sol que nasce nas suas ilhargas. Quem nos visita defeitos encontrará certamente, nas pessoas ou na organização urbana, nos gostos ou nos odores. Quem cá nasce e quem cá vive, se se integra na comunidade, rapidamente os seus olhos quando espreitam pela janela da alma, ignoram a chuva que cai no chão lamacento, e apenas distinguem as estrelas na noite e o azul do céu.